Micotoxinas: Uma revisão sobre as principais doenças desencadeadas no organismo humano e animal.

Bruna Gonçalves

Resumo


Fungos são microrganismos que se desenvolvem em ambientes úmidos, produzindo, como metabolito secundário, micotoxinas que contaminam principalmente os insumos agrícolas. As micotoxicoses começaram a causar preocupação a partir de 1960, quando ocorreu uma epidemia na Inglaterra gerada por grãos de amendoim vindos da África e do Brasil, todos contaminados com uma micotoxina chamada aflatoxina B1. No Brasil, para tentar amenizar os casos de micotoxicoses, o estado investiu em políticas de controle das taxas de toxinas, como a implementação da Resolução da Diretoria Colegiada-RDC N°07, que dispõe sobre limites máximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos. As principais micotoxinas que causam doenças em animais e humanos no Brasil são: aflatoxinas M1, B1, B2, G1 e G2, ocratoxina A, fumanisinas B1e B2, zearalenona, patulina e desoxinivalenol, produzidas pelos fungos dos gênero Aspergillus sp., Fusarium sp , Paecilomyces sp e Byssochlamys sp. Portanto, esse artigo busca identificar a estrutura química das micotoxinas, se são causadoras de doenças em humanos e animais, seus sintomas, mecanismo de ação e formas de detecção para controle em grãos e alimentos processados. É possível observa que as micotoxinas afetam diretamente os seres humanos, com exceção da zearalenona, a absorção da maior parte das micotoxinas, em animais, começa no trato gastrointestinal, afetando significativamente os tecidos renais, e por isso e de fundamental importância o aumento da vigilância em relação à contaminação dos subprodutos da agricultura e da indústria de laticínios, tendo em vista que boa parte dos subsídios são destinados à alimentação humana.


Palavras-chave


Micotoxinas, micotoxicoses, fungos, animais, seres humanos, doenças.

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Revista de Saúde da Faciplac                                                                  

Brasília, v. 4, n.1, 2017

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